Eustáquio Gorgone de Oliveira foi escritor,  nasceu em Caxambu no ano de 1949.

Criatura simples e de bom trato, Sr. Eustáquio era um ser humano humilde e terminantemente acessível.

Sua obra poética é composta por 11 livros, disseminadas por livros e revistas por todo mundo.

Licenciado em Letras e Pedagogia, participou da Antologia da Nova Poesia Brasileira, por expressar imenso domínio sobre a literatura vigente.

Sua poesia foi publicada pela Internacional Poetry Review na Carolina do Norte (EUA), onde consta como referência.

A poesia de Eustáquio Gorgone, também foi incorporada na coletânea “A Poesia Mineira do Século XX”, constituída por Assis Brasil. Em 1998, obteve menção honrosa no “Prêmio Cruz e Souza de Literatura”, através da representação de “Passagem na Orfandade”.

Eustáquio Gorgone narrou como ninguém as nuances captadas pelas esquinas de Minas Gerais. Locador de palavras de um português antigo, em Ossos Naives, a poesia é composta por uma linguagem que remete à pintura revolvendo a linha que separa a literatura das artes plásticas.

Vencedor do 3º Prêmio de Cidade de Juiz de Fora de Literatura em 2004, a obra trabalha as universalidades e especificidades de Minas Gerais transpostas em metáforas cautelosamente constituídas através de um rico sistema imagético.

Uma das últimas obras escritas por Eustáquio Gorgone foi a “Fortaleza de Feno”, onde a cooperação de seus amigos foi deveras respeitável para sua elaboração.

Sr. Antônio Godtfredsen (Chef Toninho) e o pintor Pedro Leal auxiliaram na criação do livreto “Fortaleza de Feno”.

 

Veja algumas poesias de Eustáquio Gorgone abaixo:

AMOR METÁLICO

Sei que quando te amo
não há falsos sudários
e
estrela maiores do céu
amamentam as pequenas
e
anjos regentes do mundo
desfazem a programada  via-sacra
e
os sonhos-assaltantes se capitulam
como dois mosteiros vazios
e
a pia batismal purifica
o desejo vindo do corpo
e
santos refazem os milagres
devorados pelo tempo
e
os cabelos sobem no barco
que desce entre os espermas.

NOVOS POEMAS

Não me aterroriza a tua falta
mas o vazio das palavras.
Da  ausência posso retirar imagens
e pôr nos carretéis
os abraços.
Das palavras, tudo é em vão.
Um pássaro doente, voando,
diz mais do que eu.
Por isso tua ausência
é o eclipse menor.
Ela pouco me fere.
É uma cidade inteira
que, imóvel, me persegue.
As palavras, sim, inflamam o corte.

As pedras não indagam.
No silêncio, guardam definições.
Sem a pegajosa angústia,
o tempo passa por elas.
Os sinais das chaminés
cristalizam nosso inverno.

Cada qual em seu bridão,
enredamos a vida com palavras.

GORGONE, Eustáquio.  Delirium tremens.  (Poesia)  Rio de Janeiro:  Editora Pongetti, 1974.   58 p.  14x21m5 cm.   Capa: desenho do autor. “Orelha” do libro por Marcos Konder Reis.  Col. Bibl. Antonio Miranda